MAMAM no Pátio | Recife, Brasil | 2014

A presença da paisagem e o modo de trabalhar que prolonga o contato com o ambiente que o inspira são frequentes na obra do artista Marcio Vilela. Tanto que ele revela seu gosto por realizar projetos em residências artísticas e o hábito de voltar várias vezes ao lugar fotografado. Recifense, Marcio mora em Portugal e mostra no Mamam no Pátio frutos de duas experiências deste tipo. Uma vivida na capital pernambucana e, a outra, em um arquipélago europeu. A individual Azores é inaugurada nesta quarta-feira (13/8)), às 18h.

A Ilha de São Miguel é a parte do Arquipélago dos Açores onde o artista fez a residência. Seis ampliações das imagens criadas no processo são mostradas no espaço cultural onde, nesta quarta-feira (13/8), o artista lança o livro Azores. Os exemplares são feitos manualmente e há 100 deles numerados e assinados. Uma foto solta acompanha a publicação, comercializada por R$ 300.

A exposição no Mamam do Pátio é metade Açores, com a série pronta, e metade Recife, com a apresentação da experiência dele em Pernambuco - estudos, um documentário e pequenos múltiplos.

Marcio pesquisou sobre o que ainda resta de área verde na capital. Fotografou no Parque Estadual de Dois Irmãos e fez outro tipo de trabalho no Jardim Botânico do Recife. "Lembrei da obra Historia Naturalis Brasilis, uma publicação dos anos 1800, e queria fazer algo diferente da fotografia. Escolhi 30 folhas de espécies da Mata Atlântica e fiz um processo químico. Disto resultou um extrato verde, ele serve para mim como estudo de cor. Tenho o verde pau-brasil, por exemplo, como uma tinta natural que passo no caderno de aquarela", detalha.

In: Jornal do Comércio, 12-08-2014