Mono

 

O trabalho de Márcio Vilela desafia-nos a um novo olhar sobre a paisagem, o inusitado e, por vezes, o inóspito. Reflecte sobre o espaço e o território enquanto lugares de metamorfose e contaminação, bem como a sua relação com as pessoas que, temporária ou permanentemente, os habitam. Márcio Vilela olha para os objectos abandonados na paisagem como esculturas vivas que vão sendo absorvidas e integradas pelo meio envolvente, estando em constante processo de transformação.

Mono surge no contexto de uma residência artística do artista no Carpe Diem – Arte e Pesquisa que teve uma duração de cerca de dois anos. A peça nasceu de um encontro e construiu-se através do lugar e da sua apropriação ao longo do tempo. Houve uma relação empática e emocional com o local que o fizeram regressar repetidamente e, foi nesta repetição, nesta quase obsessão, que a ligação aumentou, tornando-o num lugar que o integra e ao mesmo tempo lhe pertence. Este título de propriedade permitiu que o artista se tornasse também um agente transformador, intervindo na peça, aperfeiçoando-a. Este processo, em que o tempo e o inesperado se aliam ao rigor e racionalismo da técnica, iniciou uma metamorfose fisíca, geográfica e conceptual do lugar.

A evolução e composição de Mono alteraram a sua forma de pensar a paisagem e permitiram-lhe explorar novas formas de expressão artística, assumindo-se como um ponto de viragem no seu trabalho.

Susana Soares, Março de 2012